Um dos grandes problemas que sempre tive foi o de entender a fragilidade da paixão e a dificuldade de passar pela desilusão sem desistir de tudo.
Você já se sentiu empolgação ao iniciar algo novo, apenas para se deparar com a dura realidade algum tempo depois?
Pois, então, seja ao ingressar em uma nova empresa, iniciar um projeto ou começar um relacionamento, é comum atravessar um ciclo emocional conhecido: primeiro a paixão, depois a desilusão e, para aqueles que persistem, a possibilidade de alcançar o verdadeiro amor.
A paixão é a fase do encantamento, onde tudo parece perfeito e cheio de possibilidades. Ao iniciar um novo emprego, por exemplo, é comum sentir entusiasmo com os desafios, a equipe e as oportunidades. No entanto, essa fase inicial é frequentemente marcada por idealizações que podem não corresponder à realidade. Muitos dos meus mentorados relatam esse estágio como um momento de grande motivação e esperança, em que se sentem plenamente alinhados com a nova realidade.
No entanto, com o tempo, chega a desilusão. A rotina se estabelece, os desafios se tornam mais claros e as dificuldades emergem. Aquilo que parecia perfeito revela suas falhas e muitas pessoas entram em uma fase de frustração e dúvidas. Em minha experiência como mentora, percebo que muitos profissionais ficam presos à paixão por muito tempo e, quando a desilusão chega, tendem a pedir demissão ou apresentar queda na produtividade. O desejo de escapar da realidade que não corresponde às suas expectativas os leva a desistir antes mesmo de compreender profundamente a situação.
Contudo, existe um caminho para superar essa fase e chegar ao verdadeiro amor, seja no trabalho, nos relacionamentos ou em outros aspectos da vida. O amor verdadeiro é construído a partir da aceitação da realidade, da compreensão dos desafios e da valorização do que realmente importa. No ambiente corporativo, isso significa manter o foco no objetivo maior, reconhecer as qualidades do trabalho e das pessoas envolvidas e encontrar motivação para seguir adiante sem a necessidade de idealização.
A chave para atravessar esse ciclo está na capacidade de ajustar expectativas, cultivar resiliência e focar no que há de positivo, mesmo em meio às dificuldades.
É definir com clareza o objetivo e o resultado a que se quer chegar, escolhendo a partir de valores internos conectados à missão. Com essa abordagem, é possível transformar a desilusão em aprendizado e crescimento, abrindo caminho para uma relação mais madura e duradoura com o que quer que seja: um trabalho, uma empresa ou um relacionamento pessoal.
Por fim, convido você a refletir: quantas oportunidades você deixou escapar porque parou na fase da desilusão? Quantas rupturas fez antes que o amor chegasse ou ainda, quanto tempo se manteve cego(a), mantendo-se em um emprego ou relacionamento que não tinha sentido?
Profa. Dra. Fátima Motta