Estabelecendo Limites…. Outra Lição do Pompom

Como vocês já sabem, Pompom é um gato feral, que eu adotei, ou melhor, fui adotada por ele. A partir desse encontro, tenho aprendido reaprendido, lembrado e valorizado algumas coisas fundamentais para a liderança e para qualquer tipo de relacionamento humano.

 

O primeiro aprendizado foi em relação à presença, o segundo, aceitação e agora, o terceiro, limites. O que eu aprendi sobre limites?

 

Primeiro: Para dar limites é preciso reconhecer o que se quer e o que não se quer.O Pompom deixa muito claro quais são seus limites, até onde posso ou não brincar com ele, até onde posso ou não tocá-lo e acariciá-lo. Apesar de não falar, expressa com todo seu corpo o que quer ou não e não pensa duas vezes para dar um “chega prá lá” quando se sente invadido.

 

O que eu vejo nas organizações? Grande dificuldade em dar limites, em definir limites e, depois, quando são ultrapassados, queixas, lamentações, reclamações, do tipo “Eu não gosto quando tenho que fazer tal trabalho”, “Isso não é minha responsabilidade”, “Sinto-me invadido pelo trabalho e pelo meu chefe”. No entanto, raras são as pessoas que se posicionam de maneira clara e assertiva estabelecendo limites de horário, por exemplo, atribuições ou preferências. Nos relacionamentos pessoais, por vezes a história se repete. Não definição do que se quer, ou do que se gosta e posteriores reclamações e frustrações.

 

Segundo: O tempo é também um limite a ser dado. Posso brincar com o Pompom, fazer carinho na barriga dele, mas tem tempo limite. Quando ele não quer mais, mostra de forma bastante incisiva que o tempo de brincar já terminou. Qual o tempo de uma tarefa, projeto, permanência em um cargo? Qual o tempo de uma reunião? Qual o tempo de um telefonema? Qual o tempo de um contato? Qual o tempo de uma visita? Percebo que é muito difícil para muitas pessoas definir e limitar o tempo e, assim, há uma terrível perda desse bem tão precioso, que, no fundo, é vida. Diz um amigo meu que a vida é tudo que se faz no espaço entre uma respiração e uma expiração.

 

Como se dá limite para o tempo? Definindo o foco para cada atividade, cada projeto, cada contato, cada reunião. Pessoas maduras cuidam do seu tempo, acima de tudo porque têm autoestima trabalhada e sabem que não precisam ser amadas pelo tempo a mais que dedicam a alguém ou a algum projeto. Sabem o que é suficiente e necessário, não perdem nem o prazer, nem o foco. Dar limite significa valorizar o momento, o aqui e o agora, ficando no presente. Ou seja, uma vez que se aproveita o hoje, o minuto que se vive, não precisa “esticá-lo” além do necessário, tornando-o às vezes até enjoativo. Basta vive-lo intensamente e depois deixar ir. Esse é o limite saudável para qualquer trabalho, tarefa, conversa, contato, reunião etc.

 

Terceiro: Limite de espaço. Em qualquer brincadeira ou aproximação, Pompom deixa claro qual o espaço que ele ocupa e até onde eu posso chegar. Para isso, a percepção dele é muito aguçada. Está sempre atento em tudo que acontece, orelhas sempre em pé, nariz e olhos atentos. Interessante que, por vezes, nossos olhos ficam cegos, não cheiramos nada e nossos ouvidos ficam tapados com os fones.

 

Nossos espaços, externo e interno acabam sendo invadidos e não fazemos nada. Ficamos impactados com a invasão, sem reação, atônitos e reclamando. Depois que o espaço é invadido, o que sobra é o conflito ou a submissão. O importante da lição aprendida é que não há necessidade de se chegar a esse ponto se definirmos antecipadamente nosso espaço e se ficarmos atentos a qualquer possível invasão. Isso vale para questões voltadas à empresa ou à família, amigos , conhecidos ou desconhecidos.

 

Com a sequência desse raciocínio, então, e para não tomar mais tempo nem espaço do leitor, que talvez já queira dar um limite para essa leitura, finalizo essa breve reflexão, resumindo:

 

– Para dar limite precisa-se saber o que se quer e ter uma boa autoestima;

– O tempo é um limite a ser dado, que depende da definição clara do foco;

– O espaço vital só é invadido se deixarmos. A percepção é uma grande aliada para que, a tempo, cuidemos desse bem tão precioso!!!

Faça, então, o seguinte exercício:

– Sinto-me invadido ou sei dar limites?

– Cuido do meu tempo e espaço?

– Onde me deixo invadir?

– O que fazer para iniciar o processo de dar limites?

 

Fátima Motta
Sócia-diretora da FM Consultores
Professora de MBA e Cursos de Pós-Graduação da ESPM e da FIA.-USP.

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