HOME OFFICE E A INTELIGÊNCIA INTERPESSOAL

Nesse tempo, indescritivelmente especial, estamos fazendo necessárias revisões internas e externas que, inicialmente, geram uma certa excitação, mas, com o tempo, transformam-se em sentimentos diversos. Uma dessas adaptações mais divulgadas e experienciadas é a utilização do home office como forma de trabalho, para alguns, passageiro, para outros definitivo. O que essa atividade exige? Além de mudanças significativas no ritmo da vida e layout da casa, alguns cuidados se fazem necessários para não transformar a rotina em algo angustiante, aumentando a depressão e as crises de ansiedade.

À primeira vista, podemos achar que o trabalhar em casa pode ser algo muito bom, ficar com a família, ter mais sossego, sentir menos pressão, não ter que lidar com o trânsito, entre outras tantas coisas. Mas sabemos que a realidade não é exatamente assim. Espaços pequenos compartilhados pelo casal que trabalha, os filhos que estudam, todos precisando se conectar com locais e pessoas diferentes em momentos simultâneos, pode trazer mais problemas e irritações do que tranquilidade. 

E ainda, uma coisa é passarmos alguns dias por semana em home office. Outra coisa é passarmos meses em home office. O que fazer para lidar com tudo isso da melhor forma? Como os conhecimentos da Liderança 4.0 pode ajudar-nos? 

É exatamente a partir de uma competência que venho trabalhando tanto, seja comigo, seja com meus pacientes e clientes, que podemos lidar com essa grande mudança em nossas vidas: a Inteligência Interpessoal, ou seja, a inteligência que precisamos ter para lidar com nossas características pessoais, nossas forças, fraquezas, desejos, angústias, ansiedade e medos em composição e entrecruzamento com as características, forças, fraquezas, desejos, angústias, ansiedades e medos das outras pessoas com quem se convive ou trabalha.

Parte da Inteligência Interpessoal depende do que conhecemos como inteligência emocional, ou seja, a capacidade de gerenciar as emoções como também os imprevistos e obstáculos que surgem.  Para desenvolvermos essas inteligências, o processo é uma construção de dentro para fora e, através de nos entendermos minimamente  é que temos a chance de vivenciar essas transformações de forma positiva, ao invés de torná-las tumultos. produzindo por vezes sintomas advindos de  emoções não muito saudáveis, impactando nossa saúde, atitudes, comportamentos e relações afetivas.

Como, então,  construir uma relação saudável e produtiva com essa nova forma de trabalho, o home office, a partir dessas inteligências?

Em primeiro lugar é preciso estabelecer um relacionamento consigo mesmo. O que isso significa? Vamos aos passos:

– significa definir com clareza qual é o seu propósito, nas grandes e pequenas coisas. Desde a hora que acorda: qual o propósito desse dia? Qual o propósito dos relacionamentos que se tem, seja com família, seja profissional? Qual o propósito ao participar de uma reunião? Qual o propósito ao contatar uma pessoa? Qual o propósito em participar de uma live? Etc..

– qual o sentimento presente? Por que? Quais as emoções que ajudam? Quais as emoções que só atrapalham?

– quais ações vou colocar em prática para me aproximar ao propósito que estabeleci?

Depois desse olhar interno, parte-se para o externo.

Ou seja, em segundo lugar, há que se observar qual a estrutura do home office. Qual o local melhor para se trabalhar, para que não atrapalhe os outros e não haja perturbação das outras pessoas da casa? Onde fica mais confortável? Que recursos físicos são necessários para se ter uma posição corporal adequada ao trabalho?

Em terceiro lugar, definir as prioridades e manter a disciplina, estabelecendo metas a serem alcançadas no dia, multiplicadas em pequenas tarefas a serem desenvolvidas, de preferência com tempo estabelecido. Acompanhamento e controle das metas é fundamental, lembrando de definir espaços de tempo para levantar-se, tomar um café, brincar com o pet ou com as crianças, mas voltar dentro do planejado, para não perder o foco. 

Essas condições básicas garantem mais autoconfiança, segurança e tranquilidade para a realização do trabalho. O contrário pode gerar irritação que deságua nas relações pessoais e no sentimento de perda de tempo.

O passo seguinte, o quarto  dessa nossa lista,  é mais sério e mais complexo: é o momento que se tem que negociar com a família, com as pessoas com quem se mora, como vai ser o processo de trabalho e,  para isso, alinhar  as expectativas, deixando tudo muito claro: que horas vai precisar ficar sem nenhum tipo de incomodo, que horas vai parar, enfim tudo que será preciso para se sentir seguro e confortável. Explicar como é o trabalho parece desnecessário, mas não é. 

Durante o tempo em que se trabalha remotamente e em casa, há que se ter muita tolerância, disciplina e calma. A calma nesse momento é um estado emocional imprescindível, pois permite relaxar, interrompendo qualquer interação com algo que pode estar gerando algum tipo de stress ou conflito. Para tanto, quando uma situação desagradável, externa, irrompe, é fundamental fazer uma pausa antes de retornar para o conflito. E aí, conduzir nossos pensamentos e ações para o simples é uma boa forma de resolver e não resistir, evitando, assim, criar novos e piores problemas. Uma coisa é ficar irritadx no escritório, outra coisa é levar a energia de raiva e irritação para dentro de casa. Imagine o tumulto gerado se o casal enfrenta problemas nas suas respectivas empresas e estão juntos em um mesmo ambiente onde um dos filhos vem pedir algo fora de hora, ou um apoio para as lições de casa. A explosão pode acontecer e as relações ficarem tumultuadas. O antídoto novamente encontra-se na inteligência interpessoal que permite a observação, identificação da situação das emoções e possibilita a decisão que esteja em linha com o propósito estabelecido.

Com inteligência interpessoal o home office  pode ser um bom mestre que propicia melhor administração do tempo, aumento de produtividade,  gestão eficaz das emoções e incremento nas  relações pessoais e familiares. 

Então, em quinto lugar está uma dica de ouro: deve-se aproveitar ao máximo todo feedback que se tem em casa, enquanto se trabalha. Um exemplo: sabe quando alguém fala…” Nossa, o que estava acontecendo? Vc estava falando de um jeito que até eu fiquei assustadx”  Esse é um feedback que às vezes não entendemos no momento, mas, se unimos com outro comentário, por exemplo: “Quando vc fica irritadx dá até medo…”, talvez seja possível rever os posicionamentos e reconhecer a validade do feedback dado. Este é um momento de muito crescimento e precisa ser aproveitado.

Em sexto lugar dessa construção de como aproveitar ao máximo o home office,  está  o silêncio interno, a procura do “seu” espaço, sem a presença de ninguém. É a possibilidade de  de respirar sem outra pessoa por perto. Essa é a cereja do bolo de todo esse aprendizado, uma vez que é esse silêncio que ajuda a manter a saúde emocional em dia, pois possibilita um alinhamento interno, trazendo mente, emoção e corpo para um eixo de integração.

Mas, o que fazer quando o problema está no outro? Aqui está uma pergunta que se deve direcionar à pessoa que apresenta algum tipo de desconforto: “O que posso fazer para te ajudar?” Talvez a outra pessoa não esteja sabendo lidar com o tsumani pelo qual está passando: além do trabalho profissional, o doméstico e as crianças….Ajuda e colaboração são bálsamos nessa hora. Portanto, vale na programação diária, deixar um tempo para essa ajuda que, se bem administrado, possibilita um equilíbrio nas relações.  Este é o sétimo ponto importante de se ressaltar.

Muitos desses aspectos não são diretamente ligados a quem mora sozinho, mas devem ser adequados para a realidade de cada um. No entanto, não dá para deixar de lado o sentimento de solidão e abandono que uma pessoa distante da família ou que não tenha ninguém pode sentir. Aqui está um ponto importante que, se a inteligência interpessoal for cultivada, será o motor propulsor para que a pessoa não se isole e procure amigos, conhecidos, fazendo um movimento importante para evitar uma possível tristeza profunda ou melancolia, ou que valorize os momentos em que está sozinho para se desenvolver e trabalhar no seu propósito de vida.

Finalizando essas reflexões, entendo que o home office é uma forma de trabalho que veio para ficar, mesmo depois de toda essa pandemia. Muitas pessoas vão continuar a trabalhar em casa, o que é um exercício que pode ser bastante agradável, com ganhos de tempo, de saúde física, mental e emocional, e com melhoras significativas em nossos relacionamentos, desde que saibamos desfrutar ao máximo a tecnologia, mas que tenhamos inteligência interpessoal para lidarmos com  todos os entrecruzamentos advindos desse tipo de trabalho.

Profa. Dra. Fátima Motta

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Profa. Dra. Fatima Motta 

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