O que 2020 nos ensinou sobre liderança?

A saúde psicológica da maioria das pessoas está diretamente ligada aos seus direitos de posse e às suas liberdades. A coragem moral individual é o tesouro mais precioso de uma sociedade, e de repente, tudo isso mudou, o ser humano teve de se adaptar a novas formas de vida.

Se por um lado 2021 nos traz ainda muitas incertezas, por outro, temos a convicção de que será mais um período de grandes aprendizagens e de desafios com relação à economia e à liderança.

Pesquisei e ouvi muitos líderes, em várias áreas, para verificar o que aprendemos nesse ano desafiador e me baseei também em minhas próprias vivências. Não existem verdades absolutas, mas, sim, formas de enxergarmos as coisas. Então, o que nós, líderes, aprendemos em 2020 e que precisamos levar para 2021?

Uma das principais coisas que observamos é a necessidade de movimento, uma estratégia para que pessoas ocupem espaços de decisão de maneira organizada, com foco na superação da crise. Sob os aspectos mental e emocional, quem ficou parado em 2020 acabou adoecendo.  

Outro ponto importante são os propósitos e os valores que constituem a cultura da empresa como o centro de tudo. As que conseguiram passar por momentos tão difíceis foram as empresas que tinham esses valores bem definidos. Tivemos, portanto, uma reação muito rápida de empresários na tomada de decisões

Um líder que não está atualizado não consegue agir rapidamente, já que não tem onde se basear.  Para uma tomada de decisão ser efetiva devemos, primeiramente, avaliar os fatos, antecipar os riscos e a oportunidades e, só então, agir.

Podemos considerar como terceiro ponto fundamental a agilidade. De uma hora para outra começamos a entrar em ação muito mais depressa e tivemos de aprender a controlar nossa gestão de tempo, algo básico, porém, nem sempre fácil.

Não é mais o momento da liderança se proteger, de protelar a tomada de decisão. Tudo tem de ser rápido e contínuo. Precisamos criar técnicas para simplificar controles, antecipar entregas, mitigar riscos e, principalmente, garantir a qualidade de nossos serviços.  

Empatia foi a palavra de ordem. A capacidade de se identificar com outra pessoa a fim de compreender o que ela pensa e sente: trata-se de compreensão emocional. O líder, através de uma tela, tenta entender se seu colaborador está feliz, se está com problema, se está triste. Teve também de desenvolver uma sensibilidade muito maior com relação ao seu cliente. Sabemos que vários líderes não conseguem desenvolver essa habilidade e, sabemos também, que somente o bom líder tem a capacidade de se preocupar com a pessoa que não está produzindo por conta de algum problema emocional.

Sim, ficamos fragilizados. O líder aprendeu a ser vulnerável, dizer não quando precisava. Aprendeu a ter medo, a delegar, a mostrar sua vulnerabilidade.  Aprendeu a ser mais humano e o mais importante: aprendeu que não é errado errar.

Mostrou uma preocupação real com o bem-estar de sua equipe. Todos os líderes fizeram isso? Não, somente os bons líderes agiram dessa forma.

O engajamento das equipes foi outra questão muito observada.  Mesmo perto, as equipes não estavam tão comprometidas quanto deveriam. Por alguma razão, quando distantes, mostraram-se mais envolvidas.   O que vimos, na prática, foi uma gestão mais humanizada, uma preocupação maior com as pessoas e não somente com os resultados. As diferenças, a expressão facial, o desconforto, a alegria…tudo ficou mais evidente.

Desenvolvemos o pensamento digital. Tornamos as coisas mais rápidas, enxergamos com mais clareza o que, de fato, ajuda ou atrapalha nosso cliente.

Então, o que é essencial na liderança? Aquele relatório é, realmente, essencial? Quantas coisas que, antes, eram imprescindíveis e deixaram de ser importantes?

Passamos a ter uma visão de curto e médio prazos. Antes, o planejamento era feito anualmente. Depois, semestralmente e, agora, ele é semanal, com metas claras e alinhamento constante com as equipes.

Mas, o que podemos aprender com tudo isso? Podemos aprender com o ADKAR, um método para gerenciar mudanças no nível dos indivíduos. Um acrônimo que ajuda a planejar atividades de gestão de mudanças, colocar metas de uma curva para as pessoas envolvidas e fornecer suporte aos líderes para serem coachees de suas equipes.  

Para obter resultados tangíveis e concretos é preciso:

Awareness – consciência: o quanto eu tenho que ter consciência da mudança
Desire – desejo: o quanto eu tenho que ter de desejo para mudar
Knowledge – conhecimento: será que eu tenho conhecimento suficiente para fazer uma mudança?

Hability –habilidade: tenho que ter habilidade para colocar a mudança em prática.

Reinforcement – reforço: tenho que sustentar a mudança

Action – ação.

No entanto, o que foi preciso para que a mudança realmente acontecesse de forma sustentável?

Autoconhecimento. Tivemos de nos conhecer, conhecer nossas emoções, as emoções dos outros, desenvolver a empatia, estar em equilíbrio, olhar para dentro e trabalhar o não julgamento. Tivemos de aprender a lidar com nossa mente, nosso físico, nossas emoções. Para isso, o líder precisou trabalhar muito sua autoconfiança, autoliderança e, principalmente, a paciência, a tolerância e a compaixão.

2020, por fim, reforçou a presença do feminino na liderança. Neste caso, não somente a posição da mulher no meio corporativo, mas, o cuidado, a solidariedade e o senso de compartilhamento e acolhimento.

Eu entendo que somente daremos valor a esse ano tão importante se aplicarmos tudo que aprendemos de maneira genuína em 2021. E esse será o antídoto para que sobrevivamos a possíveis novos desafios.

E, para isso, lideranças fortes, comprometidas, conscientes e maduras são cada vez mais necessárias.

Deixo aqui, então, as 21 lições para 2021.

Os 21 pilares das lições que devemos aplicar na liderança em 2021:

– Cultura, propósito e valores no centro de tudo;

– Autoconhecimento

– Tomada de decisão em tempo hábil

– Empatia;

– Inovação;

– Consciência de vulnerabilidade;

– Preocupação real com casa pessoa da equipe;

– Velocidade e agilidade;

– Habilidades;

– Simplificação de processos;

– Protagonismo para inovar;

– Feminismo na liderança;

– Engajamento de equipes;

– Gestão de mudança;

– Pensamento digital;

– Entendimento do que é essencial;

– Foco no cliente e no social;

– Visão de curto e médio prazos;

– Líder Transformador;

– Acessibilidade;

– Constante aprendizado

Prof. Dra. Fátima Motta

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