Responsabilidade Emocional

Você, assim como eu, somos daqueles profissionais que nos achamos responsáveis. Sim, responsáveis pelo resultado, pelo trabalho, pelos recursos, pelos colaboradores, mas, será que sabemos o sentido profundo da responsabilidade emocional?

 

O significado da palavra responsabilidade é “responder por”. Ou seja, responsabilidade emocional significa responder por emoções. Responder pelo que se sente e pela forma como se extravasa as emoções.

 

Só isso? Não absolutamente! Responder apenas por suas emoções ainda é pouco. A razão disso é que as emoções são contagiosas e, além de me responsabilizar pelas minhas emoções, preciso ter consciência que posso contagiar outras pessoas.

 

Apenas com essa introdução, percebe-se a seriedade e importância deste assunto. No entanto, parece que ainda não temos e não sabemos nada sobre Responsabilidade Emocional, uma vez que esse assunto está muito distante de nós. Tendemos a não estudar nossas emoções e evitá-las ao máximo, principalmente as que não consideramos favoráveis à nossa imagem. Um exemplo disso são as mídias. A maioria de nós não posta nada que prejudique nossa imagem. Sorrisos, beijos, sinais de felicidade apenas, como se tristeza, angústia e decepções não existissem.

 

Mas voltemos ao tema. O que se entende por emoções? A palavra explica emoção, algo que se movimenta. É a capacidade que temos de movimentar uma energia interna em direção a uma determinada situação, ambiente, pessoa ou objeto. Podemos, então, considerar, que as emoções permeiam todas as relações que apresentem algum tipo de movimento, seja positivo ou não. Como por exemplo, a raiva que sinto por alguém estabelece um movimento em direção a essa pessoa. O amor ou a alegria que sinto ao ver alguém, também me coloca em movimento, direcionado a essa pessoa. Então, conclui-se que se me relaciono com alguém é porque tenho um canal emocional ligado a essa pessoa. Bom, até é fácil de entender isso se pensarmos nas relações familiares, amorosas ou entre amigos, mas, será que nas empresas existem emoções?

 

Claro que sim, nas relações com os gestores há emoção, assim como com meus pares ou colaboradores. No entanto, posso sentir diferentes emoções com as diferentes pessoas com as quais me relaciono. Por exemplo, posso sentir raiva do meu gestor. Alegria com meus colaboradores, inveja com meus pares, por exemplo. Mas, além de sentir o que é meu, a outra pessoa também sente emoções das mais variadas e as nossas emoções se enroscam literalmente. Então, pense o stress que pode ser entrecruzar a minha inveja com a tristeza de outra pessoa, ou a raiva da outra pessoa com a minha alegria. Ou seja, nada fácil esta história de responsabilidade emocional, mas também não se pode ser responsável pelas emoções dos outros.  

 

Que emoções que são de minha responsabilidade? Respondo por todas elas? Ou quando estou bem as emoções são minhas e quando estou triste são causadas pelo outro? Você é responsável pelas suas emoções?

 

Nas empresas, por exemplo, quando um líder dá um feedback para um colaborador e não se conscientiza de como estão suas emoções, pode valorizar seus colaboradores quando está feliz e subvalorizá-los quando está triste ou com raiva.  A mágoa ou desconforto podem gerar um feedback negativo, a felicidade e o entusiasmo, o contrário.  Seja como for, um feedback sempre gera um impacto em quem recebe e um líder consciente é aquele que toma consciência das suas emoções e dá um feedback sem permitir que elas interfiram. Isso é ter responsabilidade emocional.  Tomar consciência do impacto que suas emoções podem gerar na outra pessoa e evitar que elas poluam o que precisa ser dito.

 

É aqui que reside a relação da emoção com a inteligência. Ou seja, o que hoje conhecemos por Inteligência Emocional.  A atenção focada nas emoções e seus impactos no outro, ajuda a se fazer um ajuste na forma como se fala. É necessário prestar atenção nas emoções e no impacto que podem causar. Não se pode falar qualquer coisa, de qualquer maneira. Pensar antes de falar e levar inteligência às emoções é saber ser responsável emocionalmente.

 

Conhecer a pessoa a quem nos dirigimos também ajuda muito, pois torna mais factível “calibrar” as emoções.

 

Usando minha própria experiência, há tempos atras, por pressão do trabalho e vários outros motivos, eu explodia com as pessoas que mais amava e me sentia péssima depois, ou seja, era o exemplo da falta de responsabilidade emocional. Através de uma busca profunda consegui entender o que acontecia: toda vez que alguma coisa me aborrecia, eu explodia, tinha certeza de que estava sempre com a razão. Eu causava um rombo emocional em mim e na outra pessoa. Após muita auto-observação e reconhecimento dos gatilhos emocionais que me faziam explodir, tornei-me mais responsável por minhas emoções e, por consequência, pelas emoções dos outros.

 

Claro é, que, para que alguém desestabilize emocionalmente outra pessoa, sua importância também precisa ser considerada. É o que acontece nas relações estabelecidas entre pessoas que se estimam, que se consideram, ou até mesmo quando existe uma relação de poder, como é o caso entre líderes e colaboradores.  Ou seja, a palavra de um pai, de uma mãe, de um amigo ou de um amor, tem um peso muito grande, assim como a palavra de um líder.

 

Um exemplo de falta de responsabilidade emocional é quando se promete algo a alguém, apenas para obter algo, ou seja, quando se manipula. Um exemplo muito comum é a barganha que se faz com as crianças, prometendo o que não se poderá cumprir, seja por falta de recursos ou de tempo. Mas, infelizmente, não são apenas as crianças as vítimas desse assédio, muitos adultos o fazem constantemente e a consequência disso, são pessoas que, cansadas de serem manipuladas, deixam de acreditar em outras, param de se encantar por sonhos e objetivos, pelo medo de serem enganadas mais uma vez.

 

Para não sermos vítimas da irresponsabilidade emocional alheia e, por outro lado, para sermos responsáveis emocionalmente, finalizo esse artigo com algumas dicas:

 

1. Deixe claro suas expectativas em relação às diversas relações e dar espaço para que a pessoa se coloque verdadeiramente sobre a possibilidade ou não de realiza-la;

 

2. Evite nutrir expectativas em relação a promessas infundadas;

 

3. Não prometa o que não pode cumprir;

 

4. Apenas fale algo se tiver certeza do impacto emocional que vai gerar;

 

5. Observe as próprias emoções e as das outras pessoas;

 

6. Acredite na sua força e das suas reais emoções;

 

7. Aceite e valorizar as emoções das outras pessoas, entendendo-as, mas não se misturando a elas;

 

8. Valorize sua própria identidade, sabendo que você é você e o outro é o outro, que sua emoção não é igual à da outra pessoa e não deve ser contaminada, a não ser que você assim o queira;

 

9. Não sucumba nem aos elogios e nem às críticas.

 

“Ser responsável emocionalmente é construir a própria maturidade e viver de acordo com leis que manifestem o que é saudável para cada um dos vivos seres.”

 

Prof. Dra. Fátima Motta

 

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