A Influência do Clima na Saúde Mental e Emocional

Eu faço parte de um time muito especial que se dedica a estudar o tema felicidade em encontros que acontecem a cada quinze dias, pelo Instagram e YouTube – @felicidadeempauta. No nosso último encontro, falamos da relação entre felicidade e o clima, o que me inspirou a escrever esse artigo, que vai provocar você a algumas reflexões. Vamos a elas!!

Você já se sentiu mais introspectivo em dias nublados, mais agitado quando o calor aperta ou mais esperançoso com a chegada da primavera? A relação entre o clima e nosso estado emocional não é apenas poética: é profundamente real, embasada por evidências científicas e experiências humanas milenares. Na live que fizemos, eu contei o quanto foi difícil passar por temperaturas muito frias e neve, quando morei na Suíça. Passei a entender o motivo das pessoas andarem pelas ruas sem se olharem, com um rosto fechado e cabeça baixa. (Detalhe, ainda o celular não era a doença contagiosa que temos hoje…). Vamos, então, à explicação!

 

A Natureza do Vínculo: Corpo, Ambiente e Emoção

O ser humano é um organismo sensível às variações do ambiente. Luz, temperatura, umidade e estações do ano interagem com nossa biologia de forma direta. Por exemplo, a luz solar regula a produção de serotonina — neurotransmissor associado ao bem-estar — e melatonina, relacionada ao sono e ao ritmo circadiano.

Nos dias mais escuros ou com menor exposição à luz natural, como no inverno ou em regiões com longos períodos de nublados, é comum a diminuição desses hormônios, o que pode levar a quadros de fadiga, apatia e tristeza. Em casos mais graves, pode surgir o Transtorno Afetivo Sazonal (TAS), reconhecido pela American Psychiatric Association.

 

As Estações do Ano e Seus Impactos

Como falamos na live, não é só o inverno e o verão que influenciam nosso humor, mas toda mudança de estação. Por exemplo:

  • Outono e inverno são estações associadas à introspecção. Para alguns, representam acolhimento e recolhimento; para outros, gatilhos de melancolia.
  • Primavera é o símbolo do renascimento: florescimento externo e interno. Estudos indicam que há melhora no humor da população com o aumento da luz solar e temperatura amena.
  • Verão, embora alegre e energizante para muitos, também pode trazer aumento da ansiedade e irritabilidade devido ao calor excessivo e distúrbios no sono.

Podemos entender, então, que essa influência, embora exista, pode o mesmo clima pode se manifestar de formas diferentes, dependendo da história de vida, estado de saúde e contexto social.

 

O Clima e a Saúde Mental Coletiva

As mudanças climáticas extremas, como ondas de calor, enchentes e secas também afetam profundamente a saúde mental coletiva. Eventos climáticos desastrosos podem gerar sentimento de impotência, insegurança, medo do futuro e luto ambiental, fenômeno conhecido como ecoansiedade. A American Psychological Association tem alertado para esse novo campo de sofrimento psíquico, especialmente entre os mais jovens.

 

Quando o Externo Reflete o Interno

A sensibilidade ao clima é mais intensa em pessoas com transtornos do humor, como depressão e bipolaridade. Por isso, psiquiatras e terapeutas recomendam atenção especial às mudanças sazonais e seus efeitos subjetivos.

Mas não é necessário ter um diagnóstico para perceber como o tempo afeta nossas decisões, produtividade e vínculos. Há dias em que o frio convida à introspecção e ao recolhimento, abrindo espaço para a escuta interna. Outros, em que o sol nos empurra para a ação, o encontro e a expansão. Às vezes nos sentimos felizes com o tempo frio e escuro, mas às vezes podemos nos sentir felizes com o mesmo clima. A mesma coisa acontece nos dias quentes. Isso, porque o interno impacta no externo, assim como o externo impacta no interno.

Diante dessas constatações, fica uma pergunta:

Como Podemos Cuidar Melhor da Nossa Saúde Emocional Diante do Clima?

A resposta é apenas uma: autoconhecimento e regulação emocional. Como?

  1. Reconheça seus padrões: perceber como você reage ao clima ajuda a se preparar emocionalmente.
  2. Valorize a exposição à luz solar: especialmente no inverno, procure sair ao ar livre sempre que possível.
  3. Acolha o que sente: nem toda tristeza precisa ser medicada; às vezes, ela apenas acompanha o ritmo da natureza.
  4. Cuide do ambiente interno: crie refúgios afetivos e acolhedores dentro de casa — plantas, aromas, luzes, música.
  5. Fique atento aos extremos: mudanças climáticas intensas exigem suporte emocional, comunitário e psicológico.

 

Conclusão

A influência do clima sobre a saúde mental é um lembrete de que somos parte da natureza. Nossa psique, nossos humores e até nossas decisões dançam ao ritmo do céu, do vento e da luz. E esse ritmo é cíclico. A beleza dos ciclos está presente na natureza, assim como em nós. Portanto, cultivar essa consciência é também um convite ao cuidado: com o planeta, com o corpo e com os pensamentos e, sobretudo, com as emoções.

E você, como sente o impacto desses ciclos na sua vida?

 

Profa. Dra. Fátima Motta

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