Durante muito tempo, acordei com a seguinte pergunta: a quem você serve? Eu realmente não entendia o real significado dessa frase, até que um dia ficou claro que eu escolho todos os dias, exatamente onde e como colocar a minha energia. Coloco minhas ideias, criatividade, engajamento, em algo que faça ou não sentido para mim, que seja útil ou não para a humanidade. Isso me leva à seguinte reflexão.
Vivemos um tempo em que criatividade, inovação e engajamento se tornaram palavras de ordem nas empresas. O desafio é: como cultivar tudo isso sem perder a integridade? Como inovar com ousadia sem atropelar princípios éticos? Como engajar sem manipular?
Empresas éticas colocam a criatividade a serviço de algo maior: resolver problemas reais, proteger pessoas, ampliar acessos, cuidar do planeta.
Essas perguntas precisam ser respondidas:
“Por que estamos inovando?”
“Essa ideia melhora a vida de alguém ou apenas aumenta números?”
“Essa solução respeita valores humanos ou é só sedutora no mercado?”
Não basta perguntar “o que vamos criar agora?”
É preciso perguntar também:
“Vale a pena ser criado?”
“Vamos nos orgulhar disso daqui a dez anos?”
“Essa ideia respeita quem somos e quem queremos ser?”
Inovar, sim. Mas com consciência.
Não posso deixar de falar de outro aspecto valorizado nas empresas, o tal engajamento tão perseguido pelas lideranças. Nesse ponto, percebo que o engajamento por vezes é sinônimo de pressão.
Engajamento genuíno nasce de sentido, não de slogans.
As pessoas querem fazer parte de algo que faça diferença.
Elas se entregam mais quando se sentem ouvidas, respeitadas e úteis.
Aqui, as perguntas são outras:
“O propósito de cada atividade é claro e faz sentido para os colaboradores?”
“Há respeito pela individualidade de cada colaborador?”
“Qual o nível de pressão que é colocada para que os resultados sejam alcançados?”
“Os feedbacks são dados de maneira consistente?”
“Os colaboradores têm oportunidade de desenvolvimento?”
“A saúde mental é preservada?”
“Existe segurança psicológica?”
“Os colaboradores são ouvidos?”
“Os colaboradores se sentem úteis realizando seu trabalho?”
“Existe espaço para o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal?”
Ambientes criativos e íntegros oferecem liberdade com responsabilidade, voz com escuta e metas com valores compartilhados.
Resumindo, criatividade sem ética vira manipulação e engajamento sem propósito vira burnout disfarçado.
Criatividade, inovação e engajamento são forças vitais das organizações. Mas só são sustentáveis quando guiadas por valores.
Porque no fim, mais do que criar coisas novas, o que queremos mesmo é criar o que vale a pena ser criado.
Mais do que engajar, o que se quer é que cada ser humano faça a diferença para si mesmo, para a empresa e para a humanidade.
E você?
Já viveu situações em que a inovação colidiu com a ética? Que o engajamento gerou burnout?
Como sua organização equilibra esses elementos?
Prof.ª Dra. Fátima Motta



