A força da experiência: entre o encanto e a desilusão

Experiência não é detalhe.
Experiência é memória, é vínculo, é decisão.
Ela pode elevar uma marca ao lugar do afeto — ou destruir, em minutos, uma relação construída ao longo de anos.

Neste momento estou na Epic e quero contar minha experiência. Fui à Disney pela primeira vez quando meu filho tinha 15 anos. Hoje, ele tem 45. Voltar depois de tantas décadas com o meu neto significava, para mim, um reencontro com a memória, com o encantamento, com algo que marcou profundamente a nossa história.

Mas o Magic Kingdom me decepcionou.
Não pelo tamanho, nem pela estrutura — mas pela ausência de algo essencial: humanidade.

As pessoas já não sorriem como antes.
Os personagens não circulam mais pelo parque como circulavam.

Tudo parece girar em torno de fazer o visitante gastar o máximo possível, com preços exorbitantes e uma lógica quase impessoal.

A tecnologia está lá, mas não como avanço real.

Ela parece substituir gente por bonecos.
E quando se tira pessoas da experiência, tira-se também o calor, a emoção, o vínculo.

A sensação que ficou foi clara: uma experiência desumanizada.

Em contraste absoluto, o Animal Kingdom foi um respiro.
Talvez por ter natureza. Talvez por ter animais. Talvez porque ainda preserve algo essencial: presença humana verdadeira.

As pessoas eram simpáticas. O clima era agradável. O encantamento permanecia.

Ali, a Disney ainda se parecia com a Disney que ficou na memória.

Já o Islands of Adventure ficou no meio do caminho.
Não foi extraordinário, mas foi bom. Correto. Honesto.
E às vezes, ser correto já é muito.

Mas a força — ou a fragilidade — da experiência não aparece só em parques temáticos.

Recentemente, vivi uma experiência horrorosa com um banco do qual sou cliente há muitos anos.

Um PIX agendado, autorizado, simplesmente não foi pago.

Uma conta alta. Um erro grave.

E, até agora, nenhuma responsabilização clara.

É impressionante como um único episódio é capaz de colocar em risco anos de fidelidade.

A vontade imediata é simples: não quero mais estar nesse banco.

E é aí que mora a lição.

Clientes não se desligam apenas por preço.

Eles se desligam quando se sentem ignorados, desrespeitados, invisíveis.

A experiência que uma empresa oferece não é um “extra”.

Ela é o próprio produto.
Ela define se haverá lealdade, recomendação, permanência — ou ruptura.

Empresas que entendem isso cuidam de pessoas, não apenas de processos.

Criam experiências com sentido, com presença, com responsabilidade.

Porque, no fim, não lembramos apenas do que compramos.
Lembramos de como nos fizeram sentir.

E isso — para o bem ou para o mal — nunca é esquecido

 

Profa. Dra. Fátima Motta

 

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