Em pleno 2026, com todas as ferramentas que temos para facilitar a comunicação, a verdade é que ainda é muito difícil, para muitos de nós, simplesmente comunicar-se bem.
Tenho percebido, nas mentorias e nas conversas do dia a dia, que a maior parte das dificuldades nos relacionamentos profissionais não vem de má vontade, falta de capacidade técnica ou mesmo de metas irreais, mas sim da forma como falamos (ou não falamos) com o outro.
Por que é tão difícil comunicar-se de forma respeitosa e efetiva?
Porque, antes de escutar, julgamos.
Porque, antes de entender, já negamos.
Porque, em vez de construir em conjunto, disputamos quem tem razão.
Porque não olhamos mais para as pessoas com as quais estamos conversando.
E, quase sempre, achamos que nosso modelo mental é o certo. Que a nossa forma de ver o mundo é a mais sensata. E que o outro, por pensar diferente, está equivocado.
Além disso, nossa atenção está rarefeita: ao conversar com alguém, parte de nós está respondendo mentalmente um e-mail, lembrando da reunião seguinte ou se distraindo com alguma notificação. Como, então, criar presença e escuta verdadeira?
Falta o essencial: o respeito
Respeito não é concordar com tudo. Não é deixar de emitir opinião.
Respeito é estar disposto a ouvir sem interromper, a perguntar antes de interpretar, a reconhecer que o outro tem um universo próprio, com experiências, dores e verdades que precisam ser considerados.
É curioso como ainda confundimos “respeitar” com “ceder”. Às vezes, ao respeitar, você não muda sua opinião, apenas muda a forma como a expressa, e isso já transforma a relação.
Em uma mentoria recente, um executivo me disse:
“Fatima, eu achava que era direto. Mas percebi que, na verdade, era impaciente. Falava antes de escutar. Cortava antes de entender. E me sentia incompreendido.”
Quantos de nós nos sentimos assim, sem perceber que, muitas vezes, somos nós que não estamos promovendo o ambiente de entendimento que tanto desejamos?
O olhar é o que une e inclui o outro na conversa. É o que garante que o outro importa. No entanto, quantas vezes o olhar vai para o note ou para o celular e as câmeras, nas reuniões online, ficam fechadas. Além disso, a preferência pelos e mails e whats apps entre pessoas que estão a menos de um metro de distância.
Talvez o futuro da comunicação não esteja em falar melhor, mas em escutar mais e estabelecer o real interesse que está conectando os interlocutores.
Não basta saber usar as palavras certas. É preciso saber calar no tempo certo.
Não basta dizer com clareza. É preciso receber com empatia.
Não basta ser técnico. É preciso ser humano.
Que tal refletirmos:
Tenho escutado de verdade?
Tenho interrompido menos?
Tenho perguntado mais do que afirmado?
Tenho respeitado quem pensa diferente de mim?
Tenho direcionado meu olhar para a pessoa com quem estou conversando?
Comunicar-se é uma arte que nunca se esgota. Mas que começa, sempre, com uma escolha: a de estar presente e disposto a se conectar — e não a vencer.



