Autoconhecimento, Autoconsciência e Auto liderança: Um trio de Sucesso! Segunda Parte

 

 

Autoconhecimento também pressupõe a gestão daquilo que se pensa. 

Quais os modelos mentais que tenho? Às vezes há influencias da família, das mídias sociais e nossa mente fica poluída, gerando uma grande confusão e mistura entre o que realmente acreditamos e o que nos fazem acreditar. Portanto, a pergunta que fica para quem trabalha autoconhecimento é: qual o cuidado que tenho em relação a minha mente? Acredito em tudo o que falam, ou penso e avalio?  Minha mente está funcionando bem, ou estou me sentindo perdida, com pensamentos difusos? Consigo colocar foco no que eu quero? Autoconhecimento é ter coragem para olhar para os próprios pensamentos e identificar a forma como lidar com eles. 

Parceira inseparável dos pensamentos, a emoção é afetada pelos pensamentos e os afeta da mesma maneira. Autoconhecimento também é estar constantemente percebendo os fatos que disparam a ansiedade, a irritação, a angústia, a alegria, o medo, a tristeza. 

O autoconhecimento permite a gestão das emoções. Isso não quer dizer que as emoções terão que ser suprimidas, engolidas. Quando são conhecidas é possível uma aproximação ou um afastamento delas, de acordo com a escolha e a gestão que se queira fazer.  

Mas façamos uma relação com o Eneagrama. Cada tipo do eneagrama tem seu vício emocional, cada pessoa, portanto, tem a tendência de ter uma emoção como a vaidade, luxuria, orgulho, medo, entre outras. Cada pessoa tem seu vício emocional. Você sabe qual o seu? Você é uma pessoa vaidosa demais, você é uma pessoa que tem muita raiva, muito orgulho do que faz, ou você tem uma postura de quem está com tudo, ou ainda é uma pessoa invejosa? Se você sabe que essas emoções existem em você, pode geri-las, pode lidera-las.

Esse é o aspecto mais importante. Liderar as próprias emoções é o início da possibilidade de liderar a si mesmo. E só assim é possível liderar a equipe. Como é possível liderar uma equipe se não se consegue liderar as próprias emoções, se não se consegue entender qual emoção está presente? Às vezes nem sabemos se a emoção é de raiva, tristeza, nervoso, e, nessa confusão, o buraco é preenchido com comida… isso mesmo… comida tapa o buraco das emoções não reconhecidas e não trabalhadas. Esse é um comportamento complicado pois mistura a emoção com a dimensão física. Outra forma de escape é o sono, em vez de reconhecer a emoção e trabalha-la, cai-se na cama, quase como se fosse um desmaio e “apagamos”.  

A dimensão espiritual, que também é fundamental, está intrinsicamente ligada à nossa fé, aos nossos valores e ao nosso propósito. Uma boa gestão na dimensão espiritual estimula a fé, a vivência dos valores e dos princípios. Vamos a um exemplo: se sou líder de uma equipe, se tenho o propósito de ajudar meus colaboradores a se desenvolverem, mas não faço a gestão da dimensão espiritual, posso esquecer dos meus propósitos e jogar na equipe minhas insatisfações, medos, vícios emocionais ou angustias.  Pode-se dizer que dimensão espiritual é a que sustenta qualquer outro problema que temos nas outras dimensões. 

Mas autoconhecimento está intimamente ligado com autoconsciência.

A autoconsciência é a consciência que se tem das escolhas. Esse é um ponto crucial, pois, muitas vezes mão se tem consciência do que se escolhe e, fato é, que das escolhas do agora o futuro depende. 

Nem sempre convivemos com pessoas das quais gostamos, nem mesmo todas as pessoas que lideramos são as que mais queremos bem, mas, quando é necessária a convivência, é preciso da consciência da emoções que permeiam esses relacionamentos e fazer escolhas de lidar com as situações, sem se deixar afetar por aspectos indesejáveis ao resultado que se quer ou precisa ter.

A autoconsciência, então, está sempre ligada à minha capacidade de escolha, E, sempre que escolho, ganho de um lado e perco de outro. Essa é a consciência a ser desenvolvida.  

Por fim, temos o último “a”, que é o da autogestão. Autogestão é basicamente é a capacidade de entender onde estou e onde quero chegar, é conduzir-se por um caminho. Como líder, lidera-se pessoas para que saiam de um ponto e cheguem a outro ponto. Mas, somos líderes de nós mesmos, em primeiro lugar. Então, a pergunta é: como faz isso com você? Como você se auto conduz?

Quando falamos de um ponto a chegar, falamos de um foco, num ponto focal. Qual o seu foco? Podemos nos auto liderar diariamente. Normalmente, pensa-se e fala-se dos objetivos para o ano, mas se esse objetivo não for trabalhado em pequenas metas diárias, chega-se ao final do ano sem ter nada concluído.  

É a tal história se você não se lidera, alguém vai fazer isso por você. Por exemplo, se você vai a um restaurante e não sabe aquilo que quer, aquilo que te bem, alguém decide o prato por você. A questão do foco é um ponto básico da auto gestão. 

Quando se trabalha nessa auto gestão, há a condução de um ponto a outro, vinculado a um propósito, onde posso reconhecer a existência ou não de competências essenciais. Muitas vezes se quer alguma coisa e não se tema competência para tanto. Não adianta querer algo se não tenho competência. Isso pode ser para qualquer coisa. Um exemplo: se não existe competência física para fazer o Caminho de Santiago, por exemplo, ter esse foco será um perigo. Reconhecimento da competência que se tem e da competência que não se tem é a parte do autoconhecimento que se entrecruza com a auto gestão. Muitas vezes o próprio líder quer liderar pessoas, mas não tem competência de liderança ainda desenvolvida.  

Outro ponto importante é reconhecer as competências e depois se gratificar emocionalmente. A auto gestão também passa pela gratificação e isso reforça o nosso sucesso.

Auto liderança é reconhecer o próprio valor. Será que hoje, você conseguiu se liderar de um ponto a outro? Auto gestão é definir prioridades, para onde quero chegar, ter consciência de onde estou, entender o que quero de verdade. Será que quero me disponibilizar? Sair da minha zona de conforto?  A consciência de onde estou é muito importante, mas também para chegar a essa situação desejada preciso entender se é onde eu quero estar de verdade. Ás vezes, será necessário buscar parceiros, recursos para sair de um ponto e chegar no outro, e significa também acreditar. Preciso estar com todo o meu ser voltado para aquilo que quero, fazer uma gestão sobre o meu foco.

É muito difícil manter o foco, é preciso muita disciplina. Se não tiver disciplina, se não reconhecermos que existem dificuldades, a tendência é não fazer, parar na metade do caminho. Existe a história da iniciativa x acabativa.  Existem pessoas que ficam somente na iniciativa e nunca na acabativa, têm mil ideias, mas não as concretizam, tem dificuldades de fazer a auto gestão da prática.

É necessário que cada pessoa se aproprie de si mesma para fazer a gestão do próprio caminho, a gestão do que quer. E, para isso, nada mais precisamos do que autoconhecimento, autogestão e autoconsciência. 

 

Fátima Motta

 

Janeiro 2020 






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