Interesse é algo que liberta ou que aprisiona?

Será que você vai ter interesse em ler esse artigo? Será que você é uma pessoa interessada ou interesseira? Resolvi que iria compartilhar com vocês um pouco dos meus aprendizados mais recentes, e para isso não procurei referenciais bibliográficos… estou me valendo da minha experiência. Tomara que isso tenha despertado seu interesse!!!!

Desde pequena ouço as pessoas me chamarem de interesseira… meu pai me falava assim… você, Fátima, é interesseira… eu ficava mal com isso, porque percebia esse termo como uma  coisa ruim e, como criança, não entendia o que estava fazendo de errado.

Esse comentário foi sendo repetido ao decorrer da minha vida por diferentes pessoas e, quando uma pessoa muito amada me falou o mesmo, resolvi ir a fundo….

Alguém já te chamou de interesseiro ou interesseira e você ficou chateado? Ou ficou feliz?

Pois é… vamos lá … o primeiro passo que dei foi entender o significado da palavra: interesseiro é quem tem interesse, é quem participa… A etimologia dessa palavra é inter (entre) essere (ser), ou seja, significa estar no meio, é interessar-se por algo, é participar de alguma situação com muita vontade. Interesseira seria a qualidade de quem tem interesse. O dicionário fala que interesseira é quem se comporta de acordo com suas próprias vontades; que possui como objetivo atender seus próprios interesses.

Bem, aí descobri, então, que não era tão ruim ser interesseira… já que uma pessoa desinteressada é aquela que se comporta de uma forma oposta, sem interesse e, inclusive, fica desinteressante.

Vocês imaginam que a minha cabeça estava “a milhão”, pensando em tudo isso.

Cheguei, então, a uma outra conclusão: o problema não é ser ou não interesseira, mas sim, onde e para onde recai o interesse. Se a minha vontade, se o meu interesse engloba o interesse do outro, então está tudo certo. O problema é quando o meu interesse não leva em consideração o interesse do outro. Se o meu interesse é egóico, individualista, manipulador, aí, sim, seria algo inadequado e digno de um adjetivo pouco generoso, mas, se ao contrário, o interesse é plural, benéfico a outros, verdadeiro, será muito bem-vindo. Todas as descobertas que foram feitas e que tanto nos facilitam a vida, seriam totalmente inalcançáveis caso não houvesse o interesse de algumas pessoas que até chegaram a arriscar suas vidas na conquista de algo único.

Trazendo um pouco mais para perto essas considerações, pensei o seguinte: uma pessoa que quer ser promovida, portanto, se faz ouvir nas reuniões e conquista resultados significativos tem um interesse genuíno que pode ajudar a si mesmo, à empresa e aos colaboradores em geral, mas, se para isso prejudica outras pessoas, não é o interesse o problema, mas seus valores morais que estão fora de sintonia e precisam de uma rápida revisão. 

Depois de trilhar esse caminho, minha mente chegou a outro ponto interessante: diz-se dos interesseiros que gostam de receber e não de dar…. se isso acontece, aí, sim, temos um grande problema a gerir, principalmente neste novo mundo onde tudo se compartilha. Talvez aí também precisa-se pensar que cada um só pode dar o que tem, não é? Para alguns é mais fácil compartilhar seu tempo, outros compartilham informações, outros o que conseguem produzir e assim por diante. O mais importante para quem é interessado e para que é chamado de interesseiro é entender que aquilo que consegue é o que precisa dar e compartilhar, seja da forma que for possível. Compartilhar, colaborar e cooperar, tornam as pessoas interesseiras em um grande portal de transformação e crescimento. 

O ser humano é feito para compartilhar, fica feliz quando dá, por mais interesseiro que seja. No entanto, o que pode acontecer, é que não compartilhe exatamente o que outros gostariam que compartilhasse. Um professor, por exemplo, pode compartilhar conhecimento, mas pode ser incapaz de compartilhar afeto. Um líder pode compartilhar carinho e afeto com os filhos e não consegue, na empresa, nem ao menos fazer um simples reconhecimento aos colaboradores.

Tenho um amigo muito querido que, um dia, quando fomos almoçar, disse o seguinte: Fátima, todo ser humano é interesseiro e todas as relações só existem pela existência de um interesse… eu fiquei aterrorizada com essa fala. E ele continuou… se estou aqui almoçando com você, é porque existe algum interesse e da sua parte também…. eu logo pensei, meu Deus, do que ele está falando?? Mas eu entendi claramente em pouco tempo… claro que eu tinha interesse em almoçar com ele, principalmente porque sempre aprendo muito quando estamos conversando. Sendo assim, claro que eu tinha interesse e ele também… nossas conversas acrescentam muito a ambos.

E daí por diante, fui entendendo que ser interesseira é algo até que bom, porque traz uma conexão, deixa que fiquemos no meio (inter). Aí eu me lembrei da palavra interessado e, por incrível que pareça, é uma palavra que parece ser mais passiva do que ativa. Eu não sou só uma pessoa interessada, por vezes sou, sim, interesseira, quero viver até o último minuto um almoço gostoso, uma reunião proveitosa, um encontro com amigas.

Seguindo essas reflexões, podemos nos deparar com um ponto bastante interessante…trazido pela minha analista… o interesse pode ser tão grande, que aprisiona…. nossa!!! Como pode? Pois é…se meu interesse é muito intenso, posso ficar aprisionada? Como assim???

Aí eu comecei a pensar em exemplos… quantas vezes o interesse por um trabalho é tão grande que não conseguimos pensar em alternativas. Ontem recebi um profissional que me dizia ter sido chamado pela empresa dos seus sonhos e chegou até as últimas fases do processo seletivo. Seu interesse era tão grande, que não quis mais procurar nada no mercado e, quando o interesse da empresa não foi o mesmo que o dele, o nível de frustração foi muito grande. Então, veja só…. quando o interesse é tão grande que nos cega, não conseguimos pensar em nada mais, a não ser o objeto ou a ideia que nos interessa.

Você já viveu isso? Às vezes é muito bom, não? Quando o nosso interesse por um companheiro ou companheira é correspondido na mesma intensidade, chamamos até de amor…mas e quando o interesse do outro não é igual ao nosso… aí dói, né? Talvez nem queira a pessoa como amiga.

Outro exemplo: o interesse de um profissional é passar em um processo seletivo para um cargo de diretor e o interesse de quem faz o assessment é colocar no cargo quem tem as melhores competências, que talvez não seja esse profissional. E aí, como o interesse não foi atendido, talvez esse profissional deixe a empresa.

Viu só como ser interesseiro pode também aprisionar?

Bem… como sair disso… ainda eu não faço a menor ideia.

Só cheguei em dois pontos. Ser interesseira não é ruim, mas pode aprisionar, então pode não ser bom. Mas não são os outros que devem dizer se é bom ou não, mas sim cada um de nós, assumindo nossos próprios interesses, batalhando por eles e lidando com as possíveis frustrações. E, talvez, fazendo de tudo para ter diversos interesses para não ficar aprisionado a um único ponto.

O que vocês acham? Opinem a respeito!!!

Esses pontos, assim como outros, são discutidos nas mentorias que dou e, quando o interesse é genuíno de ambas as partes crescemos muito. Se você se interessou, entre em contato.

Profa. Dra. Fátima Motta

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