Comunicação, ainda o grande desafio!

Os anos passam, a tecnologia avança e em todos os relacionamentos ainda permanece o desafio da comunicação. Por vezes falamos o que não pensamos, não falamos o que pensamos, pecamos na forma como expressamos a mensagem e assim os conflitos se estabelecem, às vezes de forma aberta e clara, às vezes encobertos pela mentira e falsidade. O desafio passa por muitos aspectos, impossíveis de serem tratados em um artigo, mas como uma pequena reflexão, penso que um dos pontos mais significativos para a construção de uma comunicação é a consciência de que a comunicação deve ser construída, o que implica em ter a clareza do que se quer comunicar, do objetivo que se quer alcançar com a transmissão de uma mensagem.

 

Para exemplificar a seriedade disso, peço licença ao leitor para compartilhar um problema que um executivo teve de comunicação por falta de cuidado na construção da mensagem. Depois de um dia de trabalho, que começou às 8 e terminou às 22:00hs, combinou com amigos e com o filho uma pequena “saída”, para jogar conversa fora. Ao telefonar para ir buscá-lo, disse, ao saber que ele estava se preparando: “Vai logo, toma banho depressa, porque estou cansado!”. O que ele queria dizer era que gostaria de chegar logo ao compromisso, ficar um tempo não muito longo e voltar não muito tarde, porque estava cansado pelo dia todo de trabalho e preocupado em acordar no outro dia cedo quando também teria uma jornada intensa. Seu filho, por sua vez, entendeu que o pai não estava com vontade de sair e, portanto, que seria um esforço. Desnecessário dizer que essa noite, tão esperada, terminou num somatório de mal entendidos. Fica claro que o executivo não construiu uma comunicação adequada e, em vez de colocar no foco o resultado desejado, que era uma noite agradável junto com seu filho e amigos, pela impulsividade valorizou o cansaço.

 

Uma das conclusões a que se pode chegar é que, quando precisamos construir uma comunicação formal, com pessoas mais distantes, a construção da mensagem fica mais exequível, mas, às vezes, com pessoas mais próximas, a impulsividade pode nos levar a uma comunicação até agressiva e distante da verdadeira intenção. Essa postura ocorreu pela não assertividade do executivo. Nada disso teria acontecido se o pai simplesmente dissesse que não sairia nesse dia porque seguramente estaria cansado, mas poderia, sim, sair o outro. Teria sido muito mais assertivo e o relacionamento salutar para todo os envolvidos. Assim, antes de falar, é importante pensar o que se quer da comunicação, o foco, e construí-lo, considerando as características da pessoa com quem se quer comunicar. Isto vale para a comunicação falada ou escrita.

 

Na penúltima frase do parágrafo anterior aparece mais um grande desafio….considerando as características da pessoa com quem se quer comunicar. Aí é que a percepção e a flexibilidade precisam se complementar para que sejam percebidas as características de quem recebe a comunicação, ou seja, se a pessoa é mais prática, mais detalhista, tem mais ou menos informação sobre o assunto, o tipo de relação, se profissional ou familiar e, ainda, as emoções envolvidas. E, então, a flexibilidade chega para adequar a comunicação. O estudo e a prática da assertividade, minimiza esses problemas e desenvolve a consciência para diagnosticar, reconhecer e transformar aspectos da comunicação não adequados. E assim, entende-se por assertividade a capacidade que temos em nos colocar de maneira franca e direta, respeitando o direito dos outros.

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