Desenvolver o olho bom… QUE ARTE!

Já há alguns anos que trago, nos cursos de liderança, palestras e coachings que dou, o que entendo sobre “olho bom” e a importância do gestor desenvolvê-lo, o que causa profunda reflexão e a consciência da necessidade de desenvolvê-lo. Mas, o que é “olho bom”?

 

É a forma acolhedora e positiva que podemos olhar para as pessoas, situações e fatos que nos cercam diariamente. Há pessoas, pelo contrário, que cultivam o que eu chamo de olho ruim. Sempre negativas, vêem o pior, enroscam nos defeitos das pessoas e cultivam a arte de reclamar.

 

O ponto importante em relação a esse aspecto é que o olhar interfere diretamente nas escolhas. Se eu tenho olho ruim e escolho relacionar-me com o pior do outro, uma das consequências é uma fala negativa, pessimista e conflituosa. Se eu desenvolvo o olho bom, escolho relacionar-me com o melhor da outra pessoa e a fala será positiva, otimista e harmônica. Olho bom não é óculos cor-de-rosa. Olho bom é a capacidade de enxergar o que é preciso, tanto o que é bom como o que não é e agir de forma positiva para o objetivo estabelecido, para o propósito que se quer construir.

 

O olho ruim, diante de uma situação difícil, torna-a ainda mais pesada e impossível de ser resolvida. Culpa pessoas, situações e atribui ao ambiente a responsabilidade seja lá do que for, impossibilitando qualquer escolha efetiva de ação e proatividade.

 

Desenvolver o olho bom é crucial para qualquer pessoa e, em especial, para líderes, uma vez que é esse olhar que possibilita analisar situações, pessoas, cenários, concorrência, fornecedores, de forma a construir e não destruir. O olho bom constrói relacionamentos maduros, saudáveis e produtivos. Possibilita uma fala assertiva e efetiva.

 

No que se refere mais diretamente à gestão, um líder com olho bom é capaz de alocar seus colaboradores em trabalhos e projetos onde sua competência seja potencializada, porque é capaz de enxergá-la. O olho ruim só vê os defeitos e problemas, portanto trata de aponta-los com frequência, o que torna os colaboradores inseguros e fixados no seu pior. Ou seja, é impossível enxergar as competências.

 

O líder que tem olho bom apresenta fala positiva e inspiradora. Quando dá um feedback enfatiza o que há de melhor no colaborador, as contribuições efetivas, sem deixar de apontar as oportunidades a melhorar. A diferença está na forma: um aspecto a corrigir, para um líder que tem olho bom, por exemplo, é realmente um ponto de atenção a ser trabalhado. Para o líder que tem olho ruim, a falha terá contornos ampliados. O líder com olho bom reconhece a transitoriedade dos sistemas, desenvolvendo flexibilidade, adaptando-se ao novo. Já o líder de olho ruim tende a ser reativo, contrário ao novo, prendendo-se ao que não traz valor efetivo, mas que, consciente ou inconscientemente, coloca-o numa zona de conforto.

 

No entanto, falar é fácil. O difícil é construir esse olho bom. Para tanto, a consciência precisa estar sempre alerta, sempre atenta aos pensamentos, ao direcionamento do olhar e, caso escorregue para o pior, resgatá-lo. Treinar o olhar constantemente para ver o que há de bom nas situações, o que há para aprender, o que há de curioso e desafiador é a saída.

 

E assim, para começar, o primeiro passo sempre é fazer-se uma pergunta: como está meu olhar hoje? Como quero que esteja?

 

Reflita e construa o seu melhor, para enxergar nos outros também o que há de melhor.

 

 

Profa. Dra. Fátima Motta
Sócia-diretora da FM Consultores
Professora do núcleo de gestão de pessoas da ESPM
Professora da FIA USP em MBAs de gestão de projetos

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