Cada vez mais me assusta o peso da pressão nos ambientes corporativos e suas consequências. A pressão constante torna-se, por vezes, parte integrante do cotidiano dos executivos que pode inclusive passar despercebida.
Tenho acompanhado líderes com sintomas físicos e emocionais, como dores de cabeça intensas, tiques nervosos, unhas roídas, irritação frequente, insônia e até uma verbalização exagerada, sinais de que algo não vai bem. O interessante é que não há o reconhecimento da correlação desses sintomas com a tensão que a pressão gera.
O mais preocupante é que essa pressão, quando não reconhecida, acaba sendo repassada para os colaboradores. Líderes sobrecarregados podem, sem querer, cometer deslizes, como atos de assédio moral involuntário, simplesmente porque estão no limite. E isso também impacta a vida pessoal, tornando ainda mais difícil encontrar um equilíbrio saudável entre trabalho e vida.
Eu, como executiva e mentora, tenho observado o perigo a que estamos sendo expostos e a dificuldade que temos em lidar com essa pressão exagerada que a vida nos impõe.
Não tenho a intenção de resolver essa questão, porque depende, em primeiro lugar, do olhar atento de cada um para o próprio comportamento e a tomada de consciência dos possíveis prejuízos que essa pressão causa.
Mas, se você, assim como eu, já se deu conta desse fato, sugiro que faça o possível para afastar a pressão de si mesmo, sabendo que o trabalho é o trabalho e você é você, ou seja, o trabalho precisa ser visto a uma certa distância, com parcimônia, sem exageros, deixando a pressão fora de você.
Penso, também, que, se não lidarmos com essa pressão e nosso corpo for danificado, nada mais poderemos fazer, uma vez que moramos dentro do corpo e, essa máquina, quando quebra, nos tira a vida, o entusiasmo e a capacidade de trabalhar e de ter prazer.
Talvez não levar de forma tão séria a pressão, pode ajudar a lidarmos melhor com as demandas que nos impulsiona ao fazer, fazer, correr, correr… Mas correr para onde? Fazer para que? Enfim, o trabalho deve ser algo prazeroso e que traga sentido e valor para a vida. Quando passa a ser um grande esforço e leva à doença, acredito que precisa ser reavaliado. Até porque, na empresa somos importantes, mas substituíveis e, na família, para nossos filhos, companheiros e pais, certamente somos únicos.
Profa. Dra. Fátima Motta



