A Culpa que sinto quando desacelero

Outro dia me peguei sentindo culpa por ter um espaço livre na agenda. Olhei para aquele “vazio” como se estivesse fazendo algo errado. Logo depois, a mesma culpa apareceu ao decidir tirar uma tarde para mim — em plena terça-feira. Pensei: “Será que vão me achar irresponsável? E se alguém precisar de mim agora?”

Essa sensação, infelizmente, é mais comum do que parece.
Vivemos em um sistema que glorifica a produtividade extrema. Uma matriz invisível que mede o nosso valor pela quantidade de tarefas cumpridas, reuniões marcadas, resultados entregues — e não pela qualidade da nossa presença, da nossa saúde ou das nossas relações.

A lógica do “quanto mais, melhor” é uma armadilha.

Essa aceleração constante cobra um preço alto: ansiedade, insônia, perda de propósito, desgaste nos relacionamentos e, muitas vezes, um vazio existencial disfarçado de sucesso.

Mas desacelerar não é sinônimo de improdutividade.

Desacelerar é um ato de consciência. É permitir que o corpo respire, que a mente crie, que o coração sinta. É lembrar que não somos máquinas. Que o sucesso real talvez esteja mais ligado ao ser do que ao ter.

Não se trata de parar tudo e viver em câmera lenta, mas de recalibrar o ritmo. De se autorizar a viver com mais presença e menos cobrança. De entender que uma mente descansada decide melhor. Que uma pessoa alinhada com seus valores contribui mais. Que um líder que respeita seus limites inspira mais.
Se você se sente culpado por tirar um tempo para você, respire fundo. Essa culpa não é sua. Ela é do sistema que te disseram que era o certo.
Talvez seja hora de começar a desmontá-lo.

E você? Já se sentiu culpado por desacelerar? Como lida com isso?

Compartilhe sua experiência nos comentários e vamos juntos ressignificar o que é, de fato, viver bem.

 

Profa. Dra. Fátima Motta

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