Liderança Híbrida: Desafios da gestão presencial e online

Por Fátima Motta*

Que tempo híbrido é esse, não? Disruptivo, acelerado, solitário e conectado. Sopa de letrinhas que nos fazem perder o rumo. Mas vamos lá!

Primeiramente, é válido esclarecer que existe uma grande diferença entre um profissional híbrido e o líder desse profissional híbrido. 

Um profissional híbrido é o que tem visão sistêmica do negócio e uma formação mais ampla que lhe possibilita ir além do que é esperado. Esses profissionais depositam em sua área de atuação um olhar apurado, multifacetado e integrado com o ambiente e com o sistema em geral. Assim, o líder de profissionais híbridos precisa gerir diferentes interfaces, ter uma visão holística e conhecimento de cada departamento, projeto e áreas para integrá-los em unicidade.

Para tanto, uma das principais características da liderança híbrida é a flexibilidade. A postura de rigidez não se enquadra mais nesta realidade. Um dos exemplos mais significativos é ter pessoas trabalhando ao mesmo tempo em projetos e em locais diferentes, o que aponta para a impossibilidade de um controle do tipo – “nada escapa ao olhar”.

Então, como ter uma gestão interessante e eficaz?

Antes de analisarmos essa questão, vamos observar alguns dados importantes:

  • Segundo uma pesquisa recente do Runrun.it, 43% das 1.500 pessoas entrevistadas têm dificuldades de se desconectar no fim do expediente;
  • Uma pesquisa realizada em maio de 2021 pelo Instituto de Pesquisa de Economia Política da Universidade de Stanford revelou que 55% dos trabalhadores norte-americanos gostariam de trabalhar no modelo híbrido;
  • No Reino Unido, a expectativa é de que o grupo de trabalhadores remotos regulares dobre de 18% (porcentagem de antes da pandemia) para 37%.
  • Na China, Alicia Tung, COO (Chief Operating Officer) do Instituto Great Place to Work, acredita que em cerca de 10 anos a divisão em porcentagem do trabalho será algo em torno de 60/40 entre presencial e remoto;
  • No Brasil, através de pesquisas realizadas pelo Runrun.it com cerca de 300 profissionais de agências de marketing, vimos que 57,5% dos colaboradores afirmam que gostariam de continuar trabalhando remotamente cinco vezes por semana no futuro.
  • Contudo, a vontade de trabalhar a distância alguns dias da semana é muito similar para colaboradores (81,5%) e gestores (82,7%), de acordo com os resultados dessa pesquisa.

Vantagens e desvantagens

A partir desse cenário, vamos identificar as vantagens e desvantagens do trabalho híbrido. Inicialmente, o trabalho híbrido apresenta-se como a melhor das opções: estrutura e sociabilidade de um lado, independência e flexibilidade do outro.

Como vantagens, sem dúvida, encontramos: segurança, diminuição de atrasos, descentralização, otimização de atividades, redução de custos, menor gasto com energia, internet e vale transporte, ganho de qualidade de vida por parte dos funcionários ao conseguir uma melhor gestão do tempo. O trabalho remoto também tende a dar mais liberdade e autonomia às pessoas, culminando para uma vida mais saudável.

Quando estamos no ambiente corporativo temos mais estrutura e sociabilidade. Porém, em casa, temos mais flexibilidade.

O trabalho híbrido, sem dúvida, é uma tendência. É comum jovens questionarem em entrevistas de emprego se poderão trabalhar remotamente. Situação que há pouco tempo se restringia a casos específicos.

Por outro lado, o líder (em casa) precisa acompanhar de perto as atividades de sua equipe, estabelecer uma relação de confiança com seus colaboradores e promover ações voltadas à cultura organizacional. 

Estudos já demonstraram que houve uma queda na produtividade relacionada à falta da socialização. Mas, por outro lado, descobriu-se, também, que a produtividade aumentou em razão da preferência de pessoas que trabalham em casa.

Por isso, a importância da leitura individual:  quem é minha equipe e o que cada membro prefere?

A comunicação interna é, da mesma forma, um ponto fundamental.  Nossa tendência é manter mais bem informadas as pessoas que estão mais próximas e, as distantes, nem tanto. Isso pode causar vários problemas.

A comunicação deve ser semelhante para todos.

Daí a importância dos encontros (quando a situação pandêmica estiver normalizada). A falta de contato visual pode fazer com que algumas expressões sejam entendidas de forma equivocada.

Em todas as reuniões com suas equipes o líder deve trazer a visão, missão e os valores da empresa, fazendo com que as pessoas fiquem mais próximas.

A rotina remota pode fazer com que o trabalho seja cada vez mais individualizado, onde o profissional procura seus pares e seu gestor apenas em momentos de dúvidas ou quando encontra dificuldades.

De acordo com o Índice de Confiança da empresa Robert Half, 64% dos entrevistados acreditam que encontrar ferramentas certas para gerir as equipes e manter o entrosamento nesse formato será desafiador.

Se pessoalmente a empresa enfrenta problemas relacionados à comunicação e à organização do trabalho, dividir a jornada presencial com o trabalho remoto pode potencializar essa dificuldade.

Dar feedback em todas as reuniões, manter a proximidade (ainda que virtual) entre as pessoas e procurar sempre promover o alinhamento de ações e tarefas. Enfim, o líder precisa estar atento a todos os detalhes dá para evitar aborrecimentos.

As dificuldades de entrosamento tornam-se um ponto de atenção já que a distância dificulta a interação entre equipes e gestores no dia a dia.

Por conta da pandemia e da aceleração desse modelo de trabalho híbrido, muitas pessoas – que estão há meses em uma empresa – não conhecem ainda seus colegas de trabalho.

Nestes casos, é imprescindível que as câmeras fiquem abertas durante as reuniões, também como forma de gerar um relacionamento mais próximo.

Analisemos, então, os principais pontos de atenção com relação ao trabalho remoto:

  • Socialização enfraquecida – nossos relacionamentos com colegas podem enfraquecer, criando laços complicados. Além disso, como aponta a Harvard Business Reviews, ter alguns funcionários no escritório e outros em home office pode criar uma mentalidade de “nós contra eles” dentro da própria equipe.
  • Falta de visibilidade – para gestores, funcionários que estão distantes significa que é mais difícil saber o que todo mundo está fazendo. Esse é um problema para os colaboradores. Em uma pesquisa original na Atlassian, os funcionários compartilham preocupações de que estar “fora da vista e fora do pensamento” das outras pessoas poderia prejudicar seu potencial de avanço na carreira.
  • Falhas na comunicação – é mais difícil reunir funcionários em equipes híbridas, o que significa que podem se formar bolhas de comunicação e linhas cruzadas. É uma situação que muitas equipes remotas já estão familiarizadas, já que a comunicação e a colaboração são citadas como a principal dificuldade em se trabalhar remotamente no Relatório sobre Trabalho Remoto da Buffer de 2020.

O que devemos, então, fazer para ter uma boa liderança híbrida?

 – Reuniões regulares, nas quais o líder possa ouvir as pessoas, entender como estão se sentindo e como está seu desempenho;

– Estabelecer uma frequência para estes encontros, de preferência, nos mesmos dias e horários. Em alguns casos, a presença física pode ser necessária para orientações, formação de equipes e lançamento de novos projetos;

– Deixar câmaras frequentemente abertas durante as reuniões;

–  Planejar o que será falado e quanto tempo cada profissional terá para concluir as tarefas delegadas. Isso ajuda na realização de reuniões objetivas e realmente úteis. 

– Estimular a confiança entre os membros da equipe e seus líderes, para não gerar conflitos, diminuir a produtividade e o engajamento, aumentar o absenteísmo, entre outros problemas que prejudicam os profissionais e o resultado da empresa como um todo.

Para que isso não aconteça, fique atento a algumas questões importantes:

  • dando reconhecimento — reconhecer o desempenho das equipes é fundamental em qualquer modelo de jornada, para que se mantenham continuamente estimulados;
  • seguir os compromissos — honrar com os compromissos firmados é fundamental para que os colaboradores não se sintam ameaçados pelo home-office;
  • transparência total – comunicar as intenções da empresa por trás de cada ação e deixar a equipe ciente dos planos futuros é uma forma de estimular a confiança e eliminar a desconfiança a respeito do que acontece quando os colaboradores não estão em jornada presencial.
  • promova uma cultura prioritariamente remota, fazendo o possível para as pessoas ficarem mais tempo em casa.
  • o líder que trabalha à distância tem que estar presente (mesmo que virtualmente), entrando em contato com a pessoa que está longe pelo menos uma vez ao dia, sempre dando um feedback imediato.
  • ouvir constantemente o que a equipe tem a dizer.

Em outras palavras, um local de trabalho híbrido eficiente não deve exigir que todos trabalhem no mesmo período, no mesmo ritmo, embora, ocasionalmente, isso seja necessário. Uma mistura de métodos de comunicação ajuda as equipes geograficamente distantes a trabalharem melhor.

Mantenha toda a sua equipe híbrida unida (de qualquer lugar)

Lá se vão os dias em que você se levantava da cadeira e podia ver todos os seus funcionários trabalhando lado a lado. As equipes remotas são a nova realidade e esse nível de flexibilidade pode parecer assustador para gestores que precisam aprender como ajudar suas equipes a trabalharem bem.

E aqui estão as boas notícias: as estratégias acima podem ajudar a supervisionar uma equipe híbrida que trabalha bem em equipe, quer esteja trabalhando na mesma mesa ou ao redor do mundo.

Vamos aprofundar o assunto? Participe do meu próximo Workshop:

“Liderança Híbrida: desafios da gestão presencial e online”.

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Profª. Drª. Fátima Motta 


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