Por que você se irrita?

Vou te contar uma coisa… eu me irrito!!! Com irresponsabilidade, descomprometimento, invasão de privacidade, entre outras tantas coisas…

 

E você? Com que se irrita?

 

Você deve estar se perguntando o motivo desse artigo… pois é, o objetivo é trazer um pensamento oposto, o da paciência, tolerância e compaixão, mas com aquele que se irrita e não com o outro, o motivo da irritação.

 

Como é isso? Simples!!! Quem se irrita, se irrita porque não consegue controlar seus próprios sentimentos e só se irrita porque não consegue ficar no lugar da outra pessoa, sentir minimamente o que a outra pessoa sente.

 

Por isso, precisa ter mais paciência, tolerância e compaixão consigo mesmo para poder segurar a irritação e se fazer algumas perguntas antes de disparar tanto veneno para dentro de si.

 

Qual é a real intenção da pessoa? Causar irritação? Com certeza, na maioria das vezes a pessoa que gera a irritação em você nem ao menos sabe o que causou.

 

Vamos a um exemplo: alguém não entrega um relatório no prazo definido, o que gera em você imensa irritação e o pensamento decorrente: “Por que fulano fez isso? É só para me irritar. Ele não sabe que quem manda aqui sou eu? Como desafia minha autoridade?” Nesse caso a irritação vem junto com o imenso medo da perda de controle e se potencializa. E tudo isso acontece antes de uma conversa sobre o motivo do atraso que pode ser por uma infinidade de outros motivos, mas jamais o de causar irritação.

 

A escolha pela irritação é de quem se irrita. E o pior é que essa escolha gera um turbilhão de consequências para nosso organismo, como aumento do fluxo sanguíneo, hipertensão, dor de cabeça ou de estômago. Além disso, fica-se remoendo a irritação por algum tempo que pode se expandir para horas, dias, meses e até anos. A partir daí os pensamentos ficam tumultuados e diminui-se a chance de viver com mais qualidade as emoções positivas.

 

Quantas vezes essa irritação faz com que não se veja a beleza das pequenas coisas, das boas coisas. Você já ouviu ou já disse coisas como: “Nem fale hoje comigo que estou irritada(o)!”. Isso é triste principalmente quando afeta os familiares e, em especial as crianças que nada conseguem compreender e ouvem frases como: “Nem vai falar com o papai (ou com a mamãe) porque ela está muito nervosa!”

 

A irritação diminui em muito a capacidade de uma boa comunicação, com fluidez e amorosidade. Não estou falando de não expressar a irritação, mas de evitar ao máximo senti-la. A isso que chamamos de levar inteligência às emoções, evitando os sequestros emocionais, as respostas impulsivas.

 

Para isso, uma grande aliada é a Empatia, a capacidade que temos de entender e buscar sentir o que a outra pessoa está sentindo, os motivos que ela tem para agir de uma determinada forma, ou seja, é a capacidade de ficar no lugar do outro sem julgar.

 

A Empatia ajuda-nos a sair do plano principal da cena e a colocar-nos como observador desprovido de interesse e da espada do justiceiro. Apenas desenvolvendo de forma bastante profunda a vontade de conhecer o motivo da ação da outra pessoa através de uma escuta verdadeira.

 

Com isso é possível uma análise mais real da situação e uma decisão que não seja motivada pela irritação. Qual a vantagem disso? Melhores relacionamentos, melhor qualidade de decisões e uma vida mais saudável.

Além disso tudo, alguém que é capaz de passar a maior parte da sua vida sem se irritar está prestes a ser recebido no Céu com todas as glórias de um Santo…

 

Como eu não sou Santa, sei que algumas vezes vou conseguir segurar minha irritação graças ao processo empático e outras talvez não, mas não tem importância… continuo buscando a Empatia como um grande caminho de construção de relacionamentos.

 

O que faço? Respiro e me pergunto como eu pensaria e agiria se fosse essa pessoa, com as mesmas características que ela tem, com a mesma situação de vida, formação, filiação etc… Depois, quando possível, pergunto para a pessoa o motivo da ação/decisão (que me irritou) e ouço da forma mais isenta possível. Coloco a ela o que senti e, nesse outro movimento de compaixão por mim e pelo outro, pode-se achar um caminho de solução ou de acomodação da situação, sem irritação, mas com tolerância e compaixão. Talvez esse seja um aprendizado importante para quem quer “ser humano”.

 

E você, o que pode refletir a partir dessas poucas palavras?

 

Profa. Dra. Fátima Motta

 

 

 

 

 

 

 

 

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